Conheça as #AfroGrafiteiras: Andréa Bak

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Nome/Tag: Andréa Bak

Idade: 17 anos

Ano(s) que participou do #AfroGrafiteiras: 2017 – #AfroGrafiteiras #TavaresBastos Turma A

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“Vai ter mais preto sim na faculdade do que na delegacia”:

Conheça Andréa Bak, a jovem poeta que grafita e declama sobre a realidade do povo negro no Brasil

Com 17 anos, Andréa Bak é já é poeta. E uma poeta daquelas que merece ser lida e ouvida. Acreditando na transformação das pessoas através do conhecimento e enxergando sua arte como meio de mudança e de influência na vida dos ouvintes, expressa, em suas poesias, o que o sistema tenta esconder: as políticas genocidas e a diáspora histórica do povo negro.

Bak ingressou no projeto #AfroGrafiteiras, da NAMI, em 2017, passando a expressar sua arte também através do graffiti, emergindo  no movimento de poesia falada no mesmo ano. Desde então, participou de Slams diversos, sendo uma das seis finalistas do “Slam das Minas/RJ” e alcançando a marca de mais de 55 mil visualizações em um vídeo no qual declama uma poesia intensa, de sua autoria.

“O #AfroGrafiteiras me agregou muita coisa: trabalhou no meu processo de autoconhecimento e autoaceitação. Cada passo no projeto foi fortificante, partindo das palestras até as oficinas práticas, no muro. Foi muito enriquecedor pra mim e sou muito grata❤”

Veja Bak declamando uma de suas poesias: https://www.youtube.com/watch?v=ghJ1urfvFUM


PERIFA ZUMBI

Talvez o que eu vá falar aqui
Você não dê muita importância
São só desigualdades, guerra
só uma pequena discrepância.

Num vasto horizonte
Eu vejo resquícios de um passado que não se esconde:
Olho pro’s prédios do Leblon e vejo os herdeiros da casa grande
Eu olho pro Vidigal
e vejo os herdeiros da senzala
Mas que com muita resistência carregaram sempre sua espada

Foram cinco milhões
Cinco milhões de nós trazidos  a força
Inferiorizam nossa cor
Jogaram nossa cultura e nossa identidade na forca

“Martela o dente dele”
“Joga água fervente no ouvido dela”
A cada tortura mais força pra ela
“Agora você vai pra igreja,teu orixá não existe”
E a cada suspiro ela resiste
“Tentou fugir, tentou escapar né? !”
Para ela mais cem chibatadas
Corre, engole o choro
Bora pra luta Dandara

Construímos quilombos
Salve Zumbi!
Revolta e rebeliões
Tentaram nos oprimir

13 de maio,abolição para quem?
Éramos noventa por cento da população
Imagina que lindo, tudo isso de preto sorrindo!!!!!
Só que não

Por trezentos anos já não basta ter nos escravizados
“Agora fica aí, sem moradia e sem trabalho “
O que restou foi ir pra favela ser marginalizado

Preto, nós somos toda até no nome
Não sei se tu sabe mas resistência é nosso sobrenome
E cada a verso rimado
Espero que o recado eu tenha passado

Os pretos estão tudo se organizando
É preto no poder é preto em ascensão
Já disse que somos foda?  
É cada orgulho que vem dos irmãos

Andréa Bak, segundo lugar no IFRJ
“Ah,não vale! Ela passou por cota”
Mas e daí?  Isso é no mínimo uma redenção
Só falta você falar que o lance é meritocracia
Vai ter mais preto na faculdade sim do que na delegacia! !!

“Coé pretinha,pega teu já levou e esquece essa louça.
Faz que nem aquele cara,o André Rebouças”
Pois é, ele não é apenas nome de túnel
Negro, abolicionista, engenheiro e astrônomo
Eles não passam isso na sala
Porque não querem aceitar que a gente que está assumindo o trono!


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With only 17 years old, Andrea Bak is a poet already. And one of those poets that deserve to be read and heard. Believing in people’s transformation through knowledge and comprehending her art as a form of change and influence in the lives of the listeners, she expresses in her poetry what the system tries to hide: the genocide policies and the historical diaspora of black people.  

Bak started to attend the #AfroGrafiteiras workshops, held by NAMI, in 2017, as she began to express her art through graffiti as well, emerging on spoken poetry movement in the same year. Since then, she participated of a number of slams, being one of the six finalists of the “Slam das Minas/RJ” (a spoken poetry contest exclusive for girls, women and transgenders that happens in Rio de Janeiro) and reaching the mark of 55,000 views in a video in which she declaims an intense poetry, written by herself.

“The #AfroGrafiteiras program taught me a lot: worked in my process of self-knowledge and self-acceptance. Each step in the project made me stronger, since the lectures (on black feminism) until the practical workshops on the walls. It was very enriching for me and I’m very grateful”.

Watch Bak declaiming one poetry of her own: https://www.youtube.com/watch?v=ghJ1urfvFUM

Periphery Zumbi

Maybe you won’t mind much to

what I’m gonna tell

It’s only inequalities, war

Only a little discrepancy

In a huge horizon

I see remnants of a past that do not hide

I look to the buildings of Leblon and I see the heirs of the Casa Grande

I look to Vidigal

And see the heirs of Senzala

But with lots of resistance, they carry always their sword

There were 5 million

5 million of us brought by force

They made our color small

They threw our culture and our identity to the noose

“Hammer his tooth”

“Throw boiling water in her ear”

In each torture, more strength for her

“Now, you’ll go to the church, your Orixá does not exist”

And in each sigh she resists

“Did you try to run, tried to escape, right?”

A hundred more lashes to her

Run, suck it back in

Let’s face the fight, Dandara 

 

We built Quilombos

Hail, Zumbi!

Riot and rebellion

They have tried to oppress us

May, 13, abolition to whom?

We were 90% of the population

Imagine how beautiful, this much of niggas smiling

But no

It was not enough to enslave us for three hundred years

“Now you stay there, without a house and without a job”

And the only thing left was go to the slums to be disenfranchised

Nigga, we are it all, even in our name

I don’t know if you know but Resistance is our last name

And in each rhymed verse

I hope to have spread the message

The niggas are getting organized

Nigga in the power, nigga in social growth

Did I tell you we are awesome?

I have a huge pride in my brothers

Andéa Bak, second place on IFRJ

“Oh, no fair! She got it using racial quotas”

So, what? It’s at least a redemption

It only takes you to tell how great is the meritocracy

There will be more niggas in college, for sure, than inside police stations

“Yo, nigga, get yours, take it already and forget about the dishes.

Do it like that dude André Rebouças”

That’s right, he’s not just the name of a tunnel

Black, abolitionist, engineer and astronomer

They don’t tell us it inside the classrooms

Because they don’t want to accept we are taking the throne.

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